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segunda-feira, março 22

Bola de cristal: FC Gold Pride

Lanterna na temporada passada, o FC Gold Pride teve uma offseason muito bem-sucedida. Além de ser considerado o time que fez as melhores escolhas no draft universitário, ainda foi beneficiado pelo fim abrupto do Los Angeles Sol, o que possibilitou a chegada de reforços como Marta e a francesa Camille Abily. Tudo indica que este ano o time jogará num ofensivo 4-3-3, o que é promessa de muitos gols - a favor e contra. A posição de goleira está bem servida com a segura Nicole Barnhart. As laterais Kandace Wilson e Ali Riley são velozes e chegam bem no apoio. Rachel Buehler e Candace Chapman formam uma dupla de zaga razoável, nada que encha os olhos. Enquanto Carrie Dew deve ocupar a cabeça-de-área (Becky Edwards é a outra candidata), a norueguesa Solveig Gulbrandsen e Abily ficam como responsáveis pela ligação com o ataque. Marta e Kelley O'Hara jogam abertas (mas com a obrigação de marcar a saída de bola adversária) e Christine Sinclair faz o papel de referência na área. Na teoria é tudo muito bonito, resta ver se desta vez o técnico Albertin Montoya saberá extrair o melhor do elenco que possui. Meu palpite: briga pelo título.
Gol: Nicole Barnhart, Brittany Cameron, Erin Guthrie
Defesa: Rachel Buehler, Candace Chapman, Ali Riley, Kandace Wilson, Kaley Fountain, Kristen Graczyk
Meio-de-campo: Carrie Dew, Camille Abily, Solveig Gulbrandsen, Becky Edwards, Kim Yokers, Ashley Bowyer, Rosie Tantillo
Ataque: Marta, Christine Sinclair, Kelley O'Hara, Tiffeny Milbrett, Kiki Bosio
Treinador: Albertin Montoya

Só para efeito de registro, hoje o blog completa um ano de existência (não imaginava que fosse durar tanto, admito). Agradeço aos leitores que visitam e aos que, com seus comentários, contribuem para um debate de bom nível a respeito da modalidade. Aproveitando a ocasião, se quiserem sugerir algo para melhorar o blog neste ano que vem por aí, fiquem à vontade.

sexta-feira, janeiro 8

Momento WTF?!

E eis que surge a primeira negociação capaz de agitar os fãs nesta off-season da WPS. O Los Angeles Sol surpreendeu a todos e aceitou mandar a meia Camille Abily e a 20ª escolha no draft para o FC Gold Pride em troca da meia Tina DiMartino, a 14ª escolha no draft e o direito de negociar com uma defensora estrangeira cuja identidade não foi revelada. Se compararmos a produção de ambas na temporada passada, veremos que a diferença é gritante. Abily terminou com oito gols e uma assistência e DiMartino com nenhum gol e uma assistência. É bom lembrar que esta não foi a primeira vez que o manager do LA Sol provocou estranheza com suas escolhas. A saída da zagueira Allison Falk já deixara alguns com a pulga atrás da orelha. Qual seria a lógica por trás dessas decisões? Algumas hipóteses:
1) Corte de gastos. O salário da Marta consome a maior fatia do orçamento, portanto ela que trate de se virar sozinha.
2) Abrir espaço para a contratação de uma jogadora de impacto.
3) Utilizar as várias escolhas no draft que o time possui para construir um elenco visando o futuro.
A terceira opção parece a mais provável e, na minha opinião, é equivocada. A prioridade deveria ser manter a base e buscar a conquista do campeonato deste ano, afinal quem garante que a WPS ainda estará por aí em 2011? Não que a Abily seja uma fora de série, mas é indiscutível que a francesa desempenhou o seu papel com louvor. Tanto é que a produção do time desabou quando ela ficou ausente nas últimas partidas. E se até jogadoras da seleção americana andaram sendo ofuscadas pela qualidade das estrangeiras, não será uma insensatez apostar em atletas cuja experiência se limita ao futebol universitário e que não passam de incógnitas?
● O Atlanta Beat reforçou seu elenco com mais três jogadoras, a meio-campista japonesa Mami Yamaguchi, a atacante dinamarquesa Johanna Rasmussen e a meio-campista McCall Zerboni, ex-Los Angeles Sol.

segunda-feira, agosto 24

Allez les bleus!

No último domingo, teve início o EURO 2009 de Futebol Feminino, que está sendo disputado na Finlândia. Várias jogadoras que atuaram na WPS estarão competindo por suas respectivas seleções. Entre as partidas realizadas, tive a oportunidade de assistir a vitória de 3 a 1 da França sobre a Islândia. Exibindo muita técnica e criatividade, o time francês é um espetáculo do meio pra frente. Porém, o sistema defensivo é frágil e a goleira Sarah Bouhaddi parece sujeita a chuvas e trovoadas. A Islândia abriu o placar logo aos 6 minutos. A bola foi cruzada da linha de fundo, a goleira francesa saiu caçando borboletas e a atacante adversária apenas cumprimentou de cabeça. Pouco tempo depois, o estilo brusco da defesa islandesa resultou num pênalti que Camille Abily converteu. O 1º tempo teve seu momento dantesco quando, num espaço de três minutos, duas jogadoras francesas foram atingidas na cabeça e tiveram que ser substituídas. Nem em filme de terror de baixo orçamento se viu tanto sangue jorrando. No 2º tempo, as desajeitadas islandesas cometeram mais um pênalti, desta vez batido por Sonia Bompastor. Com um belo chute da entrada da área que contou com a colaboração da goleira, Louisa Nécib ampliou a vantagem da França. A Islândia ainda perdeu a chance de diminuir ao desperdiçar um pênalti.
Abily teve grande atuação e comandou o meio-campo com uma desenvoltura que não costumava exibir no Los Angeles Sol. Bompastor joga de lateral esquerda na seleção, por isso fica mais presa à marcação e só apóia de vez em quando. Louisa Nécib joga fácil e não tem o menor pudor em chutar a gol. Considerada a versão feminina de Zidane, ela foi escolhida no draft internacional pelo Washington Freedom no começo do ano. No entanto, preferiu seguir na França e ajudar o Lyon a buscar o título da Copa UEFA (o time acabou eliminado na semifinal). Comenta-se que ela pretende atuar na liga americana na próxima temporada. Élodie Thomis é veloz e habilidosa, mas precisa de uma bola só para ela. Vai ser fominha assim lá em Paris.
Nesta terça, ocorrerão duas partidas válidas pelo Grupo C:
Inglaterra x Itália - 11h:30
Suécia x Rússia - 14h

segunda-feira, junho 8

Vive la France! (2)

Com dores nas costas, a atacante chinesa Han Duan desfalcou o Los Angeles Sol e fez com que o técnico Abner Rogers utilizasse uma formação diferente da habitual. Manya Makoski foi para o banco e a estreante Keri Sanchez ocupou a lateral direita. Brittany Bock, que até então jogara de zagueira, lateral direita e volante, relembrou os tempos de futebol universitário e compôs o ataque ao lado da Marta. O Washington Freedom, por sua vez, veio desfalcado da meio-campista Lori Lindsey. Aos 14 minutos, o Freedom avançou suas peças para aproveitar a cobrança de um córner e sofreu um contra-ataque mortal: Shannon Boxx lançou Aya Miyama, que tocou na entrada da área para Camille Abily. Com a frieza que lhe caracteriza, a francesa ajeitou a bola e tocou por cima da goleira Erin McLeod. Acomodado com a vantagem no placar, o LA Sol se encolheu e passou a esperar um contra-ataque que nunca vinha. Mesmo com maior posse de bola, o Freedom não conseguia criar chances concretas (excessão a um chute de meia distância de Abby Wambach). O empate só aconteceu aos 12 minutos do 2º tempo. Sonia Bompastor pegou o rebote de uma cobrança de falta e chutou sem chances para a goleira LeBlanc. Três minutos depois, Cat Whitehill sofreu uma pane mental e cometeu um pênalti inexplicável. Abily bateu com tranquilidade e isolou-se na artilharia da WPS com 6 gols. Aos 21 minutos, Brittany Bock tabelou com Marta e tocou na saída de McLeod para fechar o caixão do Freedom.
Cornetadas: LeBlanc foi pouco exigida debaixo das traves, mas novamente demonstrou firmeza nas saídas de gol. Allison Falk cometeu uma pixotada no início, mas depois se recuperou e, mesmo com toda a sua altura, conseguiu anular as tentativas da veloz Lisa De Vanna. Shannon Boxx apareceu bem no 1º tempo quando avançou mais e deu início às jogadas de ataque pelo lado esquerdo. Zerboni fez ótimos cruzamentos pela ponta direita, resta ver se ela possui outras qualidades. Abily e Miyama dispensam comentários. Bock parecia desacostumada a atuar na frente, mas melhorou no 2º tempo. Marta esteve apática na maior parte do tempo e só chamou o jogo quando o Freedom já estava entregue. De positivo, a bela assistência para o gol da Bock e uma cobrança de falta que acertou o travessão. Com o retorno de Abby Wambach, o Freedom voltou a insistir na ligação direta para o ataque. Joanna Lohman, que só tocava para trás ou para os lados, pouco ajudou na transição do meio-campo. Sawa esteve apagada mais uma vez e Bompastor, sozinha na armação, pouco pôde fazer. De Vanna deu boas arrancadas ao longo do jogo, mas prendeu demais a bola.

LAS: Karina LeBlanc, Keri Sanchez, Allison Falk, Martina Franko, Stephanie Cox, Shannon Boxx, Aly Wagner (McCall Zerboni; Katie Larkin), Camille Abily, Aya Miyama, Brittany Bock, Marta
WF: Erin McLeod, Jill Gilbeau (Rebecca Moros), Cat Whitehill, Becky Sauerbrunn, Alex Singer, Joanna Lohman, Sonia Bompastor, Homare Sawa, Allie Long (Parrissa Eyoroken), Lisa De Vanna, Abby Wambach
Público: 5.497

Outros resultados:
Gold Pride e Red Stars ficaram no empate e seguem patinando no campeonato. Aos 14 minutos, Christine Sinclair marcou para o time da casa. Aos 2 minutos do 2º tempo, Megan Rapinoe cruzou para Cristiane cabecear e deixar tudo igual no placar. Foi o 2º gol consecutivo da atacante brasileira.
FCGP: Nicole Barnhart, Leigh Ann Robinson, Rachel Buehler, Kristen Graczyk, Marisa Abegg, Leslie Osborne, Tina DiMartino, Formiga (Kimberly Yokers), Eriko Arakawa (Adriane), Tiffany Weimer (Tiffeny Milbrett), Christine Sinclair,
CRS: Caroline Jonsson, Marian Dalmy, Natalie Spilger (Nikki Krzysik), Jill Oakes, Frida Ostberg, Brittany Klein, Chioma Igwe, Karen Carney, Megan Rapinoe (Ella Masar; Danesha Adams), Lindsay Tarpley, Cristiane
Público: 2.956

Graças ao gol marcado pela estreante Amanda Cinalli logo aos 15 minutos de jogo, o Saint Louis Athletica subiu na tabela e deixou o Sky Blue segurando a lanterna da WPS. Pela transmissão da rádio, ficou a sensação de que a equipe de Nova Jersey dominou as ações em certos momentos e novamente foi prejudicada pela má pontaria de suas jogadoras. Collette McCallum teve o empate nos pés, mas de frente para o gol deu uma furada espetacular. A australiana é talentosa, mas chutar a gol definitivamente não é o seu forte.
SLA: Hope Solo, Elise Weber, Tina Ellertson, Kia McNeill (Sara Larsson), Stephanie Logterman, Kendall Fletcher, Angie Woznuk, Lori Chalupny, Amanda Cinalli (Francielle), Christie Welsh, Eniola Aluko (Kerri Hanks).
SBFC: Karen Bardsley, Julianne Sitch (Jen Buczkowski), Christie Rampone, Anita Asante, Meghan Schnur, Yael Averbuch, Heather O’Reilly, Rosana (Kelly Parker), Collette McCallum, Natasha Kai, Kacey White
Público: 3.124

quinta-feira, junho 4

Melhores momentos: Sol vs Red Stars

Los Angeles Sol e Chicago Red Stars ficaram no 0 a 0 até os 43 minutos do 2º tempo, quando Cristiane completou o cruzamento de Ella Masar e marcou seu primeiro gol no campeonato (a comemoração teve direito ao costumeiro salto mortal). No entanto, a alegria das comandadas de Emma Hayes durou apenas dois minutos. A zaga afastou mal um córner e Marta acertou a trave ao arriscar um chute de fora da área. O rebote parou nos pés de Camille Abily, que não vacilou e deixou tudo igual no marcador. Enquanto o LA Sol tomou seu primeiro gol jogando em casa, o Red Stars é a única equipe que ainda não perdeu na condição de visitante. O jejum de gols do Chicago durou 396 minutos.
LAS: Karina LeBlanc, Brittany Bock (McCall Zerboni), Allison Falk, Martina Franko, Stephanie Cox, Shannon Boxx, Camille Abily, Manya Makoski, Aya Miyama, Han Duan (Katie Larkin), Marta
CRS: Caroline Jonsson, Marian Dalmy, Natalie Spilger, Jill Oakes, Frida Ostberg, Brittany Klein, Chioma Igwe, Karen Carney, Megan Rapinoe (Ella Masar), Lindsay Tarpley (Danesha Adams; Nikki Krzysik), Cristiane
Público: 3.832

segunda-feira, maio 25

Vai que é sua, Whitworth!

Diante de sua torcida, o Gold Pride procurava tomar a iniciativa do jogo, enquanto o Los Angeles Sol atuava com a habitual cautela. No entanto, a tendência inverteu-se aos 27 minutos. Camille Abily deu bom passe e Aya Miyama foi derrubada na área por Carrie Dew. Pênalti convertido com tranquilidade pela meia francesa. Ainda no 1º tempo, a goleira Val Henderson evitou o empate ao defender um chute à queima-roupa de Tiffany Weimer. Na 2ª etapa, embora rondasse a área adversária, o Pride não foi capaz de criar chances efetivas. O LA Sol, por sua vez, teve inúmeras oportunidades de ampliar, mas a goleira Allison Whitworth protagonizou uma série de defesas espetaculares. Até que, aos 41 minutos, Han Duan puxou um contra-ataque e finalmente quebrou seu jejum de gols.
Cornetadas: Para surpresa geral, as goleiras reservas brilharam intensamente no derby da Califórnia; Henderson fez um ótimo 1º tempo e Whitworth foi o nome do jogo. É impressionante o "prestígio" que a Johanna Frisk tem junto ao técnico do Los Angeles Sol. Com a defesa toda desfalcada, o que ele faz? Desloca Stephanie Cox para a zaga (onde ela não atuava desde a universidade) e coloca Katie Larkin na lateral esquerda. Para não ficar feio, no 2º tempo ele passou Manya Makoski para o meio e botou a sueca na lateral direita. Sei que o fã-clube é grande, mas não vejo nada de mais na Arakawa, muito pelo contrário. Não gosto da Érika como volante, falta mobilidade para correr atrás das adversárias. Nas poucas vezes em que se adiantou, ela acertou bons passes em profundidade. Onde foi parar o futebol da Weimer? Adriane pouco apareceu e perdeu um gol feito. Formiga, que não começou jogando por contusão, deu mais consistência ao meio-campo do Pride. Abily, que chegou a ficar no banco contra o Boston, voltou a jogar bem. Com mais espaço no 2º tempo, Marta tirou proveito de sua velocidade (uma assistência para Miyama foi sua melhor jogada). Mas bem que ela poderia focar suas energias para o jogo em si, ao invés de esbravejar contra tudo e contra todos.
FCGP: Allison Whitworth, Kandace Wilson, Carrie Dew, Kristen Graczyk, Leigh Ann Robinson, Leslie Osborne, Érika (Formiga), Tina DiMartino, Tiffany Weimer (Adriane), Tiffeny Milbrett, Eriko Arakawa (Chastain)
LAS: Val Henderson, Manya Makoski, Allison Falk, Stephanie Cox, Katie Larkin, Lisa Sari, Camille Abily (McCall Zerboni), Aya Miyama, Liz Bogus (Johanna Frisk), Han Duan, Marta
Público: 6.280

sexta-feira, março 27

Raio-X das equipes: Los Angeles Sol

Goleiras: Karina LeBlanc, Val Henderson, Brittany Cameron *
Defesa: Allison Falk, Kendall Fletcher, Johanna Frisk, Stephanie Cox, Martina Franko
Meio-campo: Shannon Boxx, Greer Barnes, Camille Abily, Aya Miyama, Aly Wagner, Brittany Bock, Manya Makoski, Lisa Sari *, McCall Zerboni *
Ataque: Marta, Han Duan, Christie Welsh, Katie Larkin, Liz Bogus *
Técnico: Abner Rogers
* Jogadora em desenvolvimento

Sim, o Los Angeles Sol é candidato ao título. E não poderia ser diferente, afinal conta com a melhor jogadora do mundo. Aliás, o oba-oba em torno da Marta está impressionante, veremos se ela conseguirá corresponder à enorme expectativa depositada em seus ombros. Acredito que Allison Falk e Kendall Fletcher formem a zaga, com a sueca Johanna Frisk, melhor amiga da Marta, esquentando o banco. Pude vê-la defendendo o Umeå e me passou a impressão de ser uma jogadora lenta e de poucos recursos técnicos. Sei que o futebol da volante Shannon Boxx tem muitos admiradores, mas eu não sou um deles. Embora finalize bem de longa distância, é lenta, erra passes demais e costuma apelar para as faltas. Na criação, destaque para Aya Miyama, uma das responsáveis pelo toque de bola rápido e preciso do Japão, o melhor entre todas as seleções que estiveram em Pequim. Camille Abily foi eleita duas vezes a melhor jogadora do Campeonato Francês e vem cercada de muita expectativa. A conferir.