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segunda-feira, agosto 23

Primeirão

Atuando no Toyota Park, o Gold Pride derrotou o Chicago Red Stars por 3 a 2 e confirmou matematicamente o que todo mundo já sabia: a conquista do título da temporada regular e o direito de sediar a final em 26 de setembro. A partida foi disputada de forma franca e, após jogada de Ali Riley, o time da Califórnia abriu o placar com Marta. Ella Masar empatou para o Red Stars, mas a zagueira Rachel Buehler respondeu e marcou de cabeça num escanteio. No 2º tempo, Masar completou o cruzamento de Marian Dalmy e igualou o placar novamente (seu 8º gol no campeonato). Porém, um pênalti infantil cometido por Natalie Spilger permitiu que Marta assegurasse mais três pontos para o líder (o 15º gol da brasileira). Num jogo que não tinha grande repercussão para a tabela, destaco a atuação da Formiga, que ganhou a batalha no meio-campo e iniciou as jogadas que resultaram nos dois gols marcados pelo Red Stars. 

segunda-feira, agosto 2

Going Solo

Embora a partida tenha acabado num empate sem gols, tanto Atlanta Beat quanto Gold Pride poderiam ter saído com os três pontos. A equipe da Geórgia viu chances cristalinas serem desperdiçadas por Eniola Aluko, Monica Ocampo e Ramona Bachmann. Além disso, sofreu com o egoísmo de suas atacantes, especialmente Aluko. Logo no início do jogo, ela invadiu a área e, ao lado, tinha Lori Chalupny completamente livre de marcação. Era só rolar a bola e correr pro abraço. No entanto, a "fominhagem" falou mais alto e a inglesa decidiu resolver sozinha, permitindo que Nicole Barnhart praticasse a defesa. Apesar da atuação pouco inspirada da dupla Marta e Christine Sinclair, o Gold Pride também teve várias oportunidades para marcar, mas esbarrou nas defesas de Hope Solo e na trave três vezes. Destaques individuais para Hope Solo (uma atuação que deixaria seu pai, Han, orgulhoso), Aya Miyama (numa função mais defensiva) e Lori Chalupny (muito bem na armação enquanto teve fôlego).

segunda-feira, junho 22

Freguês de caderninho

Conforme era esperado, o Los Angeles Sol nem precisou se esforçar muito para derrotar o Gold Pride pela terceira vez (placar agregado de 5 a 0). Os mais detalhistas, se quiserem, podem contabilizar também duas vitórias em amistosos disputados na pré-temporada. O 1º tempo foi disputado de forma aberta e ambas as equipes tiveram oportunidades de marcar. A diferença é que o Sol converteu as suas chances. Aos 17 minutos, Camille Abily tirou proveito de uma bola mal afastada e marcou seu 7º gol no campeonato. Aos 25 minutos, Marta foi lançada por Shannon Boxx, ganhou na corrida de Carrie Dew e tirou com categoria da goleira. No 2º tempo, a equipe da casa ainda perdeu um caminhão de gols com Bock, Duan, Marta e Miyama.
Cornetadas: LeBlanc foi bem quando exigida e impediu pela nona vez que seu gol fosse vazado. Miyama joga muito, pena que não demonstra a mesma tranquilidade na hora de finalizar. Bock e Duan perderam várias chances por lentidão e má colocação. Após algumas atuações discretas, Marta voltou a jogar bem. O lance em que ganhou no tranco da Dew e escapou do carrinho da Osborne merecia terminar em gol. Barnhart fez defesas sensacionais e impediu que a derrota virasse goleada. Rachel Buehler não tem o menor cacoete para atuar de lateral esquerda. No 1º tempo, Formiga armou bem o jogo e até apareceu para finalizar. Na etapa final, desabou junto com o resto do time. Adriane deu um chute perigoso e mais nada.
[discurso inflamado on] Juro que eu gostaria de entender o que se passa na cabeça do Albertin Montoya, técnico do Gold Pride. Ele não só escala a Tiffeny Milbrett de titular, como a mantém em campo até o apito final (só para constar, ela tem 36 anos). Quando faltam 5 minutos para acabar o jogo, ele decide colocar a Tiffany Weimer em campo. Para quê? Queria que ela fizesse um milagre? E o que ele tem contra a Érika? Vamos analisar a situação de forma mais detalhada: a Adriane jamais atuou pela seleção principal do Brasil e foi escolhida no draft internacional após ser observada durante o Mundial Sub-20 disputado no Chile. Pois bem, a Érika disputou a mesmíssima competição e foi a única brasileira a integrar o All-Star Team selecionado pela FIFA. A técnica da Alemanha, Maren Meinert, declarou o seguinte antes de enfrentar o Brasil pelas quartas de final: "Precisamos encontrar uma forma de parar a Érika. Ela é capaz de fazer quase tudo". No entanto, enquanto a Adriane recebe várias oportunidades de atuar no ataque, a Érika só esquenta o banco. É muita incoerência. Notem que a minha intenção não é criticar a Adriane, mas apenas ressaltar o absurdo da situação. [discurso inflamado off]

LAS: Karina LeBlanc, Manya Makoski, Allison Falk, Martina Franko, Stephanie Cox, Shannon Boxx, Aly Wagner (Katie Larkin), Camille Abily, Aya Miyama, Marta, Brittany Bock (Han Duan)
FCGP: Nicole Barnhart, Leigh Ann Robinson (Marisa Abegg), Carrie Dew, Kristen Graczyk, Rachel Buehler, Leslie Osborne, Formiga, Tina DiMartino (Tiffany Weimer), Tiffeny Milbrett, Eriko Arakawa (Adriane), Christine Sinclair
Público: 4.593

E o calvário do Chicago Red Stars parece não ter fim, agora são oito jogos sem vitória e apenas dois gols marcados neste período. Para enfrentar o Boston Breakers, a técnica Emma Hayes resolveu encarnar o Professor Pardal e armou seu time num esquema 4-5-1. A zagueira Ifeoma Dieke jogou na lateral direita, a lateral Marian Dalmy virou meia, três volantes (Ostberg, Klein e Igwe) no meio-campo e apenas Lindsay Tarpley no ataque. Cristiane, Megan Rapinoe e Carli Lloyd ficaram no banco. A nova tática fez água logo aos 22 minutos, quando Amy Rodriguez quebrou o jejum e colocou o Breakers na frente do placar. Na sequência, Lindsay Tarpley quase empatou ao acertar o travessão. No 2º tempo, com as titulares habituais em campo, o Red Stars pressionou em busca do empate: duas finalizações foram salvas em cima da linha e Tarpley perdeu uma chance cara a cara com a goleira Allison Lipsher. Nos acréscimos, Kristine Lilly marcou de pênalti o 2º gol do Breakers.
CRS: Caroline Jonsson, Ifeoma Dieke (Cristiane), Jill Oakes (Carli Lloyd), Nikki Krzysik, Natalie Spilger, Frida Ostberg, Brittany Klein, Chioma Igwe, Marian Dalmy (Megan Rapinoe), Karen Carney, Lindsay Tarpley
BB: Allison Lipsher, Nancy Augustyniak (Kelly Schmedes), Amy LePeilbet, Candace Chapman, Heather Mitts, Kasey Moore (Christine Latham), Alex Scott, Angela Hucles, Kristine Lilly, Kelly Smith, Amy Rodriguez (Jennifer Nobis)
Público: 3.889

Após dominar a maior parte do jogo e acertar o travessão adversário por duas vezes, o Saint Louis Athletica descobriu que o futebol nem sempre é justo. Aos 38 minutos do 2º tempo, quando o empate já parecia encaminhado, Rebecca Moros marcou e deu a vitória ao visitante Washington Freedom.
SLA: Hope Solo, Elise Weber (Melissa Tancredi), Kia McNeill, Tina Ellertson, Stephanie Logterman, Kendall Fletcher, Angie Woznuk, Lori Chalupny, Amanda Cinalli (Sara Larsson), Christie Welsh (Kerri Hanks), Eniola Aluko
WF: Erin McLeod, Ali Krieger, Cat Whitehill, Becky Sauerbrunn, Sonia Bompastor, Lori Lindsey, Homare Sawa, Allie Long (Kristin DeDycker), Rebecca Moros, Lisa De Vanna (Alex Singer), Abby Wambach (Jill Gilbeau)
Público: 2.731

segunda-feira, junho 8

Vive la France! (2)

Com dores nas costas, a atacante chinesa Han Duan desfalcou o Los Angeles Sol e fez com que o técnico Abner Rogers utilizasse uma formação diferente da habitual. Manya Makoski foi para o banco e a estreante Keri Sanchez ocupou a lateral direita. Brittany Bock, que até então jogara de zagueira, lateral direita e volante, relembrou os tempos de futebol universitário e compôs o ataque ao lado da Marta. O Washington Freedom, por sua vez, veio desfalcado da meio-campista Lori Lindsey. Aos 14 minutos, o Freedom avançou suas peças para aproveitar a cobrança de um córner e sofreu um contra-ataque mortal: Shannon Boxx lançou Aya Miyama, que tocou na entrada da área para Camille Abily. Com a frieza que lhe caracteriza, a francesa ajeitou a bola e tocou por cima da goleira Erin McLeod. Acomodado com a vantagem no placar, o LA Sol se encolheu e passou a esperar um contra-ataque que nunca vinha. Mesmo com maior posse de bola, o Freedom não conseguia criar chances concretas (excessão a um chute de meia distância de Abby Wambach). O empate só aconteceu aos 12 minutos do 2º tempo. Sonia Bompastor pegou o rebote de uma cobrança de falta e chutou sem chances para a goleira LeBlanc. Três minutos depois, Cat Whitehill sofreu uma pane mental e cometeu um pênalti inexplicável. Abily bateu com tranquilidade e isolou-se na artilharia da WPS com 6 gols. Aos 21 minutos, Brittany Bock tabelou com Marta e tocou na saída de McLeod para fechar o caixão do Freedom.
Cornetadas: LeBlanc foi pouco exigida debaixo das traves, mas novamente demonstrou firmeza nas saídas de gol. Allison Falk cometeu uma pixotada no início, mas depois se recuperou e, mesmo com toda a sua altura, conseguiu anular as tentativas da veloz Lisa De Vanna. Shannon Boxx apareceu bem no 1º tempo quando avançou mais e deu início às jogadas de ataque pelo lado esquerdo. Zerboni fez ótimos cruzamentos pela ponta direita, resta ver se ela possui outras qualidades. Abily e Miyama dispensam comentários. Bock parecia desacostumada a atuar na frente, mas melhorou no 2º tempo. Marta esteve apática na maior parte do tempo e só chamou o jogo quando o Freedom já estava entregue. De positivo, a bela assistência para o gol da Bock e uma cobrança de falta que acertou o travessão. Com o retorno de Abby Wambach, o Freedom voltou a insistir na ligação direta para o ataque. Joanna Lohman, que só tocava para trás ou para os lados, pouco ajudou na transição do meio-campo. Sawa esteve apagada mais uma vez e Bompastor, sozinha na armação, pouco pôde fazer. De Vanna deu boas arrancadas ao longo do jogo, mas prendeu demais a bola.

LAS: Karina LeBlanc, Keri Sanchez, Allison Falk, Martina Franko, Stephanie Cox, Shannon Boxx, Aly Wagner (McCall Zerboni; Katie Larkin), Camille Abily, Aya Miyama, Brittany Bock, Marta
WF: Erin McLeod, Jill Gilbeau (Rebecca Moros), Cat Whitehill, Becky Sauerbrunn, Alex Singer, Joanna Lohman, Sonia Bompastor, Homare Sawa, Allie Long (Parrissa Eyoroken), Lisa De Vanna, Abby Wambach
Público: 5.497

Outros resultados:
Gold Pride e Red Stars ficaram no empate e seguem patinando no campeonato. Aos 14 minutos, Christine Sinclair marcou para o time da casa. Aos 2 minutos do 2º tempo, Megan Rapinoe cruzou para Cristiane cabecear e deixar tudo igual no placar. Foi o 2º gol consecutivo da atacante brasileira.
FCGP: Nicole Barnhart, Leigh Ann Robinson, Rachel Buehler, Kristen Graczyk, Marisa Abegg, Leslie Osborne, Tina DiMartino, Formiga (Kimberly Yokers), Eriko Arakawa (Adriane), Tiffany Weimer (Tiffeny Milbrett), Christine Sinclair,
CRS: Caroline Jonsson, Marian Dalmy, Natalie Spilger (Nikki Krzysik), Jill Oakes, Frida Ostberg, Brittany Klein, Chioma Igwe, Karen Carney, Megan Rapinoe (Ella Masar; Danesha Adams), Lindsay Tarpley, Cristiane
Público: 2.956

Graças ao gol marcado pela estreante Amanda Cinalli logo aos 15 minutos de jogo, o Saint Louis Athletica subiu na tabela e deixou o Sky Blue segurando a lanterna da WPS. Pela transmissão da rádio, ficou a sensação de que a equipe de Nova Jersey dominou as ações em certos momentos e novamente foi prejudicada pela má pontaria de suas jogadoras. Collette McCallum teve o empate nos pés, mas de frente para o gol deu uma furada espetacular. A australiana é talentosa, mas chutar a gol definitivamente não é o seu forte.
SLA: Hope Solo, Elise Weber, Tina Ellertson, Kia McNeill (Sara Larsson), Stephanie Logterman, Kendall Fletcher, Angie Woznuk, Lori Chalupny, Amanda Cinalli (Francielle), Christie Welsh, Eniola Aluko (Kerri Hanks).
SBFC: Karen Bardsley, Julianne Sitch (Jen Buczkowski), Christie Rampone, Anita Asante, Meghan Schnur, Yael Averbuch, Heather O’Reilly, Rosana (Kelly Parker), Collette McCallum, Natasha Kai, Kacey White
Público: 3.124

domingo, março 29

E agora brilha o Sol

Los Angeles Sol e Washington Freedom proporcionaram uma bela estréia para a liga, ainda mais se levarmos em conta que os times são recém-formados e tiveram pouco tempo de treinamento. Conforme o entrosamento entre as jogadoras melhore, o nível técnico só tende a subir. No geral, o time da casa demonstrou mais qualidade que o visitante e mereceu levar os três pontos. Seu técnico surpreendeu ao escalar a meia-atacante Brittany Bock na zaga (atuação muito segura, aliás), deslocando Kendall Fletcher para a lateral direita. Com isso, acertei minha previsão: Johanna Frisk no banco. O placar foi aberto logo aos 6 minutos. Aya Miyama cobrou falta pela direita, Scurry saiu mal (cantei a pedra!) e a zagueira Allison Falk tocou de cabeça para o fundo da rede, assinalando o 1º gol na história da WPS. Abby Wambach teve a chance de empatar ao invadir a área pela direita, mas a canadense Karina LeBlanc fez grande intervenção. No 2º tempo, a equipe de Los Angeles teve dificuldades em manter a posse de bola e o Freedom não empatou por pouco, Lori Lindsey acertou a trave. Mas aos 42 minutos, Marta puxou um contra-ataque e rolou para a francesa Camille Abily encobrir Scurry com um belo toque e dar números finais ao jogo.
Cornetadas: a goleira LeBlanc demonstrou segurança nas saídas de gol; Aiya Myama joga fácil; Shannon Boxx não pode passar da linha divisória, como erra passes; Han Duan andou se enrolando no início, mas melhorou na 2ª etapa; Abily não tem medo de chutar a gol; Marta fez boas jogadas, mas ainda não está com a conhecida explosão; Sonia Bompastor não decepcionou, continua a apoiar bem pela esquerda; isolada no ataque, Wambach lutou muito e fez o possível.
LAS: Karina LeBlanc, Kendall Fletcher (Katie Larkin), Allison Falk, Brittany Bock, Stephanie Cox, Shannon Boxx, Aya Miyama, Camille Abily, Manya Makoski, Han Duan (Christie Welsh), Marta
WF: Briana Scurry, Cat Whitehill, Emily Janss, Alex Singer, Becky Sauerbrunn, Lori Lindsey (Jill Gilbeau), Sonia Bompastor, Allie Long, Homare Sawa, Abby Wambach, Claire Zimmeck (Lisa De Vanna)
Público: 14.832

sexta-feira, março 27

Raio-X das equipes: Los Angeles Sol

Goleiras: Karina LeBlanc, Val Henderson, Brittany Cameron *
Defesa: Allison Falk, Kendall Fletcher, Johanna Frisk, Stephanie Cox, Martina Franko
Meio-campo: Shannon Boxx, Greer Barnes, Camille Abily, Aya Miyama, Aly Wagner, Brittany Bock, Manya Makoski, Lisa Sari *, McCall Zerboni *
Ataque: Marta, Han Duan, Christie Welsh, Katie Larkin, Liz Bogus *
Técnico: Abner Rogers
* Jogadora em desenvolvimento

Sim, o Los Angeles Sol é candidato ao título. E não poderia ser diferente, afinal conta com a melhor jogadora do mundo. Aliás, o oba-oba em torno da Marta está impressionante, veremos se ela conseguirá corresponder à enorme expectativa depositada em seus ombros. Acredito que Allison Falk e Kendall Fletcher formem a zaga, com a sueca Johanna Frisk, melhor amiga da Marta, esquentando o banco. Pude vê-la defendendo o Umeå e me passou a impressão de ser uma jogadora lenta e de poucos recursos técnicos. Sei que o futebol da volante Shannon Boxx tem muitos admiradores, mas eu não sou um deles. Embora finalize bem de longa distância, é lenta, erra passes demais e costuma apelar para as faltas. Na criação, destaque para Aya Miyama, uma das responsáveis pelo toque de bola rápido e preciso do Japão, o melhor entre todas as seleções que estiveram em Pequim. Camille Abily foi eleita duas vezes a melhor jogadora do Campeonato Francês e vem cercada de muita expectativa. A conferir.