domingo, março 22

Pontapé inicial

Tendo em vista a pobreza que caracteriza a nossa imprensa esportiva quando o tema é futebol feminino, achei por bem criar este blog, que tem a pretensão de acompanhar tudo o que gira em torno da WPS, a nova Liga de Futebol Feminino dos Estados Unidos. Os que tiverem interesse por este campeonato específico, poderão encontrar aqui um paliativo para a escassez de notícias.
Comecei a acompanhar o futebol feminino em meados da década de 90, graças à decisão do Luciano do Valle de abrir espaço na programação da Bandeirantes para os jogos do Campeonato Paulista Feminino. Lembro que ele, inclusive, cometeu a loucura de transmitir "in loco" a Copa do Mundo de 1995, realizada na Suécia (por isso, merece ser reconhecido como um dos maiores incentivadores da modalidade no país).
Quem acompanhou os jogos daquela época sabe que o futebol feminino em geral, e especialmente no Brasil, evoluiu de maneira absurda nos aspectos técnico e tático. Antes, quando enfrentava equipes como Alemanha, Noruega, Suécia e Estados Unidos, a seleção brasileira mal conseguia ultrapassar a linha divisória do gramado, era sufoco o tempo inteiro. Hoje em dia, mesmo sem a preparação ideal, encaramos qualquer adversário de igual para igual.
Os detratores do futebol feminino gostam de dizer que a qualidade técnica é inferior ao do jogo masculino e que as mulheres jamais conseguiriam enfrentar os homens numa partida. É verdade. Mas o mesmo pode ser dito a respeito de todos os outros esportes, no entanto, eles não costumam ser vítimas desse argumento simplório. Ou será que no vôlei as mulheres saltam tão alto e atacam tão forte quanto os homens? O basquete feminino, que nos deu um título mundial com Paula e Hortência (bons tempos), merece ser desprezado por não contar com enterradas e pontes aéreas? E por acaso as mulheres alcançam as mesmas marcas que os homens no atletismo e na natação? Em suma, acredito que o futebol feminino deve ser avaliado por sua capacidade (ou incapacidade, depende do gosto do freguês) de entreter o público; só não vale utilizar o masculino como parâmetro e exigir uma cópia exata. Eu, particularmente, gosto do ritmo mais lento e do espírito amador que vai de encontro ao enfado profissional dos milionários do futebol.

Um comentário:

Daniel disse...

Parabens Marcelo,
Fico satisfeito que entusiastas e incentivadores do futebol feminino tenha aqui este espaço.
Você foi perfeito no contra-argumento daqueles que desmerecem o futebol feminino. vou mais além, o futebol feminino tem um potencial enorme como produto esportivo, só que ainda muito machismo travestido de pessimismo ainda impede.
Boa sorte nesse seu espaço que com certeza terá um leitor assíduo.